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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Sugestão Saudável (48)

Post escrito pela nutricionista Liliana Janicas

 

 

Consequências do excesso de peso

 

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Temos novos dados sobre o excesso de peso em Portugal e a situação não está favorável, é urgente combatermos esta epidemia. Entre 2015 e 2016 uma equipa de investigadores, entrevistou mais de 6000 pessoas sobre hábitos alimentares, atividade física e peso corporal, representando todas as regiões portuguesas.  Esta autêntica radiografia alimentar, proveniente do Inquérito Alimentar Nacional, revela um país obeso, onde mais de metade da população tem excesso de peso (57%) e um perímetro abdominal de risco (50,5%).

 

 

Para esta situação, contribui certamente a baixa proporção da população jovem, entre os 15 e os 21 anos, fisicamente ativa (apenas 36%) e o facto da maioria das crianças passar até 2 horas por dia a ver televisão ao longo da semana (87%). E muito provavelmente, também a elevada ingestão de bebidas alcoólicas e açucaradas. Continuamos a beber muito álcool (24,3% dos homens, 1 em cada quatro adultos) consome álcool em níveis considerados excessivos, enquanto que 17% da população bebe diariamente refrigerantes ou néctar, a maioria com quantidades excessivas de açúcar. Nos adolescentes que bebem refrigerantes, 25% bebe aproximadamente, dois refrigerantes por dia. No final, o consumo médio nacional de açúcares simples é de 90g/dia. Um valor muito acima das recomendações da OMS, quase o dobro, sendo que apenas 3 % da população consome o açúcar recomendado internacionalmente!

 

Isto significa que neste país, onde em média, por dia, são diagnosticados 168 novos casos de diabetes e que tem a maior taxa de acidentes vasculares cerebrais (AVC) da Europa Ocidental, causando dor e sofrimento à maioria das famílias atingidas, o sal e o açúcar continuam a ser tolerados pela sociedade como substâncias inócuas. A Europa gasta em média 3% dos seus orçamentos com a Saúde na prevenção, revelando o quanto a alimentação está ainda longe de ser uma prioridade.

 

Entre os problemas de saúde mais comuns que estão associados ao Excesso de Peso, encontram-se as doenças cardiovasculares (HTA, acidente vascular cerebral, doença coronária), diabetes tipo II, dislipidémias, doenças pulmonares, apneia obstrutiva do sono, doenças osteoarticulares, alguns tipos de cancro (cancro do cólon, recto, gástrico e mama), cirrose, gota, depressão e baixa auto-estima. 

 

Estudos têm demonstrado que o excesso de Massa Gorda (característica no excesso de peso), principalmente a gordura visceral (abdominal) contribui para a insulino-resistência, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, associado ao aumento das adipocitocinas pró-inflamatórias, tais como: TNFα e IL-6, cuja evidência demonstra um decréscimo significativo após dieta para perda ponderal.   

 

Em Portugal, o estudo PHYSA revelou que a hipertensão arterial (HTA) tem uma prevalência na população adulta de 42,2% e que cerca de metade dos indivíduos avaliados tinham excesso de peso, sendo que a obesidade era o fator mais fortemente correlacionado com a HTA.

 

A nível europeu, o estudo EuroAspir IV (2014-2015), realizado em 14 países, incluindo Portugal, mostrou que 80% dos doentes de risco cardiovascular tinham excesso de peso.

Em Portugal 38% destes doentes apresentavam obesidade e cerca de 70% apresentaram um elevado perímetro abdominal. Uma vez que que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, representando 30% da mortalidade total do nosso País, estes valores são de extrema importância.

 

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Se tem excesso de peso, procure ajuda profissional e combata este situação! Há uma solução para este problema!

 

Cumprimentos saudáveis

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 Liliana Janicas

 

 

Referências bibliográficas: 

1. Galic S, Oakhill JS, Steinberg GR. Adipose tissue as an endocrine organ. Mol Cell Endocrinol. 2010; 316(2):129-139.

2. Barinas – Mitchell E, Kuller LH, Sutton-Tyrrell, et al. Effect of weight loss and nutritional intervention on arterial stiffness in type 2 diabetes. Diabetes Care 2006; 29:2218-22.

3. Chen, Y., Copeland, W.K., Vedanthan, R., Grant, E., Lee, J.E., Gu, D., et al. Association between Body Mass Index and Cardiovascular Disease Mortality in East Asians and South Asians: Pooled Analysis of Prospective Data from the Asia Cohort Consortium. BMJ.2013; 347,5446.

4. Loveman E et al. The clinical effectiveness and cost-effectiveness of long-term weight management schemes for adults: a systematic review. Health Technol Assess 2011; 15: 1-182.

5. Riecke BF et al. Comparing two low-energy diets for the treatment of knee osteoarthritis symptoms in obese patients: a pragmatic randomized clinical trial. Osteoarthritis Cartilage 2010; 18: 746-54.

6. Poirier P, Giles TD, Bray GA, et al. Obesity and cardiovascular disease: pathophysiology, evaluation, and effect of weight loss. Arterioscler Thromb Vasc Biol 2006;26:968–76. 

7. Polonia, J. Martins L, Pinto F, et al. Prevalence, awareness, treatment and control of hypertension and salt intake in Portugal: changes over a decade. The PHYSA study. J Hypertens. 2014. 32: 1211-21.

8. Kotseva K, Wood D, De Bacquer D, De Backer G, Rydén L, Jennings C, Gyberg V, et al, EUROASPIRE IV: A European Society of Cardiology survey on the lifestyle, risk factor and therapeutic management of coronary patients from 24 European countries. Eur J Prev Cardiol. 2016 Apr;23(6):636-48. doi:10.1177/2047487315569401. Epub 2015 Feb 16.

 9. George F. Causas de morte em Portugal e desafios na prevenção, Acta Med Port 2012 Mar-Apr;25(2):61-63

 

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