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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Sugestão Saudável (18)

Post escrito pela nutricionista Liliana Janicas

 

Microbiota Intestinal

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Est post pretende informar sobre a importância do microbiota intestinal no contexto de frequentes alterações metabólicas que preocupam atualmente o Homem e as possibilidades de modulação através da alimentação.


Microbiota intestinal é o conjunto dos microrganismos que existem no intestino humano.

O microbioma intestinal diz respeito ao genoma desses microrganismos. Estes microrganismos estabelecem com o hospedeiro uma relação de mutualismo, em que ambos contribuem e beneficiam. O microbiota intestinal é bastante diversificado e numeroso. Com o progresso de técnicas de genética, o avanço no estudo do microbioma foi conseguido, permitindo a classificação do microbiota. O microbiota intestinal caracteriza-se pelo seu constante dinamismo, sendo que este pode ser afetado por inúmeros fatores ambientais como dieta, estilo de vida, consumo de antibióticos e idade.


O desenvolvimento do microbiota ocorre logo após o nascimento e tem influência na fisiologia do hospedeiro, nomeadamente no desenvolvimento e morfogénese de órgãos e na manutenção do equilíbrio de tecidos e órgãos. Contribui também para o desempenho de funções metabólicas, principalmente na obtenção de energia a partir da dieta e no desenvolvimento do sistema imunológico. O desenvolvimento adequado é de extrema importância para o Indíviduo pois permite que este seja menos suscetível a desenvolver patologias. Alterações no microbiota estão associadas a diversas doenças como diabetes tipo 1, obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras. Por sua vez, estas patologias podem causar uma modificação considerável do microbiota e suas funções, afetando a relação de simbiose com o hospedeiro. Se ocorrer uma alteração extensa do microbiota, poderá ser necessário recorrer ao uso de probióticos, prebióticos e, em último recurso, transplante fecal para se poder restabelecer ou modificar a microbiota intestinal, minimizando os danos causados.


O estudo do microbiota humano e, em particular, do microbiota intestinal está em desenvolvimento, tendo vindo a surgir novas evidências relativamente à sua associação a diferentes patologias e ao seu papel na fisiologia humana. O trato gastrointestinal (TGI) humano é o local mais densamente povoado por micro-organismos comensais e simbióticos, sendo na sua maioria maioria bactérias, contendo dez vezes mais bactérias que o número de células que formam nosso organismo. Indivíduos apresentam composições bacterianas distintas, sendo em parte definidas geneticamente e em outra determinadas por características individuais e ambientais, como o modo de nascimento (parto normal ou cesariana), idade e hábitos alimentares, o que resulta numa grande variabilidade intra e interindividual.

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A passagem pelo canal vaginal no momento do parto começa a influenciar a colonização do TGI do recém-nascido. No período pós-natal, o tipo e a duração da amamentação também são muito importantes. Em comparação à microbiota intestinal adulta, os lactentes apresentam maior variabilidade da composição microbiana, apresentando menos espécies com menor estabilidade. Entre 2 e 3 anos de idade, o ecossistema passa a ser estável e comparável a de um adulto. Há estabilização do microbiota após a primeira infância, mas ocorrem modificações em situações específicas ao longo da vida. Indivíduos adultos podem ter variações na proporção das bactérias em consequência de alterações ambientais ou de estados patológicos. Com o envelhecimento, observa-se um alteração do microbiota intestinal. Essas variações parecem estar relacionadas com a perda de paladar, olfato e menor ingestão alimentar. Apesar do crescente interesse no estudo do microbiota intestinal, há importantes lacunas no conhecimento sobre como este ecossistema pode afetar a saúde, particularmente no que se refere às doenças crónicas não transmissíveis (DCNTs).


No início deste século, consolidaram-se as evidências da associação do microbiota com o excesso de peso, a partir de pesquisas em modelos animais e também em humanos. Constatou-se que indivíduos magros e obesos apresentam diferente composição de microbiota, especialmente relacionado com a alimentação, o que pode aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias, alterando a expressão de genes do hospedeiro e induzindo estado patogénico capaz de facilitar o desenvolvimento de DCNTs. Considerando que a obesidade é o principal fator de risco para a Diabetes tipo 2, o papel do microbiota também passou a ser alvo de investigação.


Como podem constatar, o microbiota Intestinal é de extrema relevância no desenvolvimento adequado do organismo humano, o que reforça a expressão que “o intestino é o nosso segundo cérebro”!!

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Cumprimentos saudáveis


Liliana Janicas

 

 

Referências bibliográficas:
1 - Arumugam M, Raes J, Pelletier E, Le Paslier D, Yamada T, Mende DR, et al. Enterotypes of the human gut microbiome. Nature. 2011;473(7346):174-80.
2 - Qin J, Li R, Raes J, Arumugam M, Burgdorf KS, Manichanh C, et al. A human gut microbial gene catalogue established by metagenomic sequencing. Nature. 2010;464(7285):59-65.
3 - Penders J, Thijs C, Vink C, Stelma FF, Snijders B, Kummeling I, et al. Factors influencing the composition of the intestinal microbiota in early infancy. Pediatrics. 2006;118(2):511-21.
4 - Kalliomäki M, Collado MC, Salminen S, Isolauri E. Early differences in fecal microbiota composition in children may predict overweight. Am J Clin Nutr. 2008;87(3):534-8.
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6 - de Filippo C, Cavalieri D, Di Paola M, Ramazzotti M, Poullet JB, Massart S, et al. Impact of diet in shaping gut microbiota revealed by a comparative study in children from Europe and rural Africa. Proc Natl Acad Sci USA. 2010;107(33):14691-96.
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8 - Wu GD, Chen J, Hoffmann C, Bittinger K, Chen Y, Sue A, et al. Linking long-term dietary patterns with gut microbial enterotypes. 2011;334(6052):105-8.
9 - Woodmansey EJ. Intestinal bacteria and ageing. J Appl Microbiol. 2007;102(5):1178-86.
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