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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

Eu e o Carnaval. O Carnaval e Eu.

Esta é a altura do ano em que menos me apetece "tirar o pé do chão" ou até achar graça "à cabeleira do zézé". A distante relação que tenho com o Carnaval não vem de hoje. 

 

Quando tinha dez ou doze anos, a moda aqui na aldeia era o disfarce de punk. Ora, eu de punk tinha muito pouco mas, valia o empenho e o esforço. Sozinha em casa, de manhã, conseguem imaginar a perfeição das cicatrizes que desenhava no rosto com lápis preto? Não. Sei que não conseguem. Ficava ali uma coisa mal definida, entre o punk e o não ter jeito nenhum para o assunto. Para além disso, era habitual vestir calções de lycra pretos, que tinha ganho no Natal, por cima de collants opacos pretos. Já naquele tempo desejava ter umas pernas que "enchessem" os calções... ainda hoje não passa de uma ambição! Em cima da indumentária preta carregava com colares e pulseiras agressivas e ainda ripava os cabelos. Um verdadeiro espanto. Digno de ganhar o concurso de máscaras da escola!

 

A verdade é que não sinto aquela euforia do Carnaval. Parece que me falta desenvoltura para me disfarçar. Não sou criativa nem original como algumas das minhas amigas. Uma delas, que a cidade de Torres Vedras nos roubou, dizia no início do mês "meu coração agora é todo Carnavau". Outras, envoltas no maior secretismo, preparam o desfile com cerca de cinquenta foliões. Passam meses a preparar os carros alegóricos, as roupas, os acessórios, a maquilhagem. Fazem-no com a maior dedicação. 

Confesso que me falta esse "bichinho folião". De encarnar outra personagem e de me sentir confortável com isso. 

Nem os meus filhos vieram fazer com o meu espírito carnavalesco ganhasse vida. Eles, em público, são tímidos e não conseguem ser de outra forma no Carnaval. Sempre que assisto ao desfile de máscaras na escola fico com a sensação de que estão a pensar o mesmo que eu "quando é que isto acaba? tirem-me daqui!"

 

Este ano podia contrariar-me e entrar em terrenos pantanosos.... podia, mas não era a mesma coisa!

Disfarçar-me de coelhinha sexy ou de freira atrevida era capaz de ser boa ideia.

Mas não! Ninguém ia perceber!

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