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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Entrevista ao Padre Avelino Alves

Avelino Alves é pároco na Igreja de Pêro Pinheiro. Todos o conhecem por Padre Avelino e pela relação de proximidade que faz questão de manter com todos na comunidade. Tem 64 anos e é natural de Lamego. Quando o contactei, aceitou de imediato que lhe fizesse algumas perguntas sobre os temas que marcam a actualidade. Vamos conhecer um pouco melhor as principais linhas orientadoras que caracterizam a sua missão. 

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 Eu e o Padre Avelino na Igreja de Pêro Pinheiro. 

 

 

O padre Avelino celebra missa aqui, na igreja de Pêro Pinheiro, e na capela da família Espírito Santo, em Cascais. As homilias são diferentes consoante o público?

A paróquia de Pêro Pinheiro está entregue à minha jurisdição. Celebro missa aqui e, aos domingos, na capela dos Espírito Santo. E sim, a resposta à sua pergunta é sim. As homilias são pensadas consoante o público. As homilias são diferentes, as pessoas são diferentes, o contexto social e cultural também e eu tenho sempre isso em linha de conta. Um padre deve pensar nos seus discursos de maneira condizente com o seu público. 

O que pode trazer à sociedade civil este Ano da Misericórdia?

Essencialmente faz pensar na importância do perdão (a nós mesmos), na benevolência e na compaixão. Por outro lado, à Igreja cabe saber corresponder a este apelo de misericórdia que nos faz o Papa Francisco. A Igreja de hoje tem de dar muito mais, tem de ir ao encontro dos outros e saber acolher. Misericórdia também significa acolhimento. Temos de ser uma igreja de salvação e não de condenação. 

Acha que a Igreja, apesar das directrizes do Papa Francisco, poderá estar acomodada e fechada em si própria?

Sim. Considero que a Igreja não está a corresponder na sua plenitude aos apelos constantes deste Papa. Se perguntarmos aos padres "o que é que mudou na sua paróquia?", eles respondem "nada". Nós, os padres, sem darmos conta, estamos instalados, acomodados. Continuamos com uma Igreja estabelecida, estagnada e muito regrada à lei. Por isso, devemos ouvir os apelos do Papa Francisco e responder mais a este convite de misericórdia. 

Que leitura faz do documento da exortação apostólica do Papa sobre a família. Que novidades pode trazer à igreja?

Na minha opinião, o Papa lança pistas para abrirmos caminho, neste caso concreto, para sabermos acolher as famílias, as novas famílias reais. Não os devemos deixar "à porta". Eu reparo que, na minha paróquia, muitas famílias, não casadas, procuram-me para baptizar os seus filhos, porque encontram abertura. Nós (igreja) temos de ir contrariando os discursos mais fechados. E com esta atitude não estamos fora da lei. 

A Igreja recebe todos mas também tem de saber aceitar a diferença.

Exacto. Toda a gente tem de ter lugar na igreja. Repare, o melhor da igreja são mesmo os cristãos. Da parte dos padres resta saber receber e acolher. É preciso saber dar o devido espaço às pessoas, saber amar todas e ter a bondade de olhar todas da mesma maneira. Por vezes falta coragem à igreja. Mas temos um Papa que nos vai dando pistas...

Em relação ao Papa Francisco, como analisa as suas atitudes? 

Se ao início as pessoas podiam achar que o Papa fazia todas aquelas coisas, quebrando protocolos, somente para a imagem, hoje já todos demos conta de que tudo nele é natural. Não há ali nada de complexo nem de preconceito. A sua humanidade, a sua proximidade a todos, a sua concepção de misericórdia e de perdão é extraordinário! É, sem dúvida, um Papa que todos nós precisávamos. O que mais aprecio é a sua humanidade e a sua fé. Só a sua grande fé o torna o ser que ele é. Só com a sua fé tudo faz sentido. 

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Como surgiu a ideia do Compasso Pascal Motard?

A população de Pêro Pinheiro e Montelavar desafiaram-me a fazer a visita Pascal pois há muita gente do norte do país a viver aqui. Eu na altura questionei-os "mas como?" e foi assim que surgiu a ideia de a fazer de mota. Já cumprimos a tradição há nove anos e este ano fomos 800 motards. Houve um aumento significativo de adesão. Ao início alguns motards faziam por curiosidade e mas hoje já fazem questão de estar presentes. E digo-lhe mais, chegar a Cascais (fim da visita) e ver todos a rezar, sem complexos, foi muito bom, tenho muito respeito por todos. 

Também é uma forma de chamar mais pessoas para junto de si, para junto da Igreja?

Sim, sem dúvida. Acho que é mais uma das muitas formas da igreja acolher... Vamos ver uma coisa. Não são só os cristãos aqueles que vêm à missa aos domingos. Um cristão é alguém que vive de uma maneira verdadeira segundo a doutrina de Cristo. Sabe que eu tenho uma relação de proximidade com todos e isso traduz-se das mais variadas formas. Por exemplo: eventos de solidariedade, entrega de géneros aos mais pobres, a crianças internadas, mais presenças nas minhas missas, mais casais a baptizarem os seus filhos, organização das festas anuais em honra de São Pedro, caminhadas nocturnas de oração... Algumas pessoas que convivem comigo fora da igreja dizem-me muitas vezes que deviam ir à missa e eu respondo-lhes "se estás bem assim, deixa-te estar...". Noto que o balanço é bastante positivo. Há iniciativa humana e isso já é muito gratificante para mim enquanto padre desta paróquia. 

A fé dos portugueses poderá estar abalada com esta profunda, mais do que crise económica, crise de valores?

Acho que pode até ser o contrário. Desiludidos com o "homem" há uma maior procura de Deus. Aqui na paróquia há um aumento significativo da prática da fé. O que eu acho que está a acontecer hoje em dia é medo. As pessoas têm medo de tudo: da doença, da morte, do desemprego! Há pouca coragem e muito medo que assola a vida das pessoas. Eu digo sempre nos casamentos "é preciso coragem". Coragem no sentido de não viver amedrontados e envergonhados. 

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Agora para terminar, diga-me o que está a acontecer ao seu F.C. Porto?

Pois é...parece que as coisas não estão nada bem. Não sei se sabe mas sou amigo do Pinto da Costa e até já acompanhei a equipa ao estrangeiro (Rússia e Inglaterra). Quando fui operado ele ligava-me frequentemente para saber do meu estado de saúde! Bem, mas acho que há uns anos, o Pinto da Costa controlava tudo. Hoje, se calhar, está mais difícil de controlar. Sabe que os anos pesam! Mas eu acho que, neste momento, a equipa precisa de um bom psicólogo. Parece-me que os jogadores estão diminuídos moralmente e mentalmente. Havia camaradagem entre os jogadores. Hoje parece que desapareceu. Só um pequeno pormenor, antigamente o Pinto da Costa obrigava treinadores e jogadores a falar português...

Já não há aquela mística no Futebol Clube do Porto, portanto venha de lá um psicólogo. 

Muito obrigada padre Avelino pelas suas palavras.

Obrigada Cátia por ter vindo à nossa paróquia. 

 

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