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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

A Rapariga na Aldeia

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Entrevista a Sónia Morais Santos

No blogue Cocó na Fralda, um dos mais lidos no nosso país, Sónia Morais Santos descreve as peripécias e os imprevistos diários da vida em família de uma forma absolutamente tocante e ao mesmo tempo divertida. Acrescenta aos seus dramas, poucos floreados, muito real world e essencialmente uma elevada dose de amor! Quem a segue sabe que os seus textos chegam a ser comoventes. 
 
Jornalista de formação, diversas vezes premiada, a Sónia trabalha como freelancer no seu próprio meio de comunicação - o Cocó na Fralda. Para além das traquinices dos filhos e dos malabarismos de uma vida a seis, é possível encontrar no blogue histórias emocionantes e inspiradoras de pessoas que entrevista para as rubricas os papa-léguas, mudar de vida, mulheres do caraças, conta-me
 
Vive em Lisboa. É casada. Mãe do Manel, do Martim, da Madalena e do Mateus. Estima os amigos (quando falou neste assunto percebi a sorte de quem a tem como amiga). Filha e irmã atenta e dedicada. Faz voluntariado. Dentro de poucos dias irá fazer o seu primeiro triatlo - 1500 metros a nadar, 45km de bicicleta e 10km a correr (Go, Cocó, Go 💪)
 
O seu último livro A Culpa Não é Sempre da Mãe levou-me até ela, corria o ano de 2014 e hoje, a propósito do mês em que se comemora o Dia da Mãe, achei que também vocês iriam gostar de conhecer melhor esta Mulher do Caraças 😁! 

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O que é que é mais fascinante para si na maternidade?

Para começar eu tenho de lhe dizer que adoro bebés. Amo aquele primeiro olhar que nos deitam! É absolutamente viciante. Por mim tinha mais filhos. Gostava de ter assim um rancho mas já não tenho idade para isso! Para além disso, gosto muito de os ver passar aquelas diferentes etapas e de perceber como 4 filhos dos mesmos pais são diametralmente diferentes. É bom ver o modo como apreendem o mundo, quando começam a descobrir coisas à sua volta e a interpretá-las à suas maneiras. O modo como argumentam. Adoro, é giro ter um filho adolescente com quem se conversa como um adulto e um bebé! É maravilhoso ver a interação entre os irmãos (quando ela é boa). Portanto, é um amor que vicia. 

 

Como é a mãe Sónia? 

A mãe Sónia tende a ser uma mãe mais para o "sim" do que para o "não". Obviamente que em determinadas situações digo "não" e faço-o sem qualquer medo de jogos da parte deles. Aliás, faz-me imensa confusão essa coisa de hoje em dia os pais terem medo de dizer "não" aos filhos, como se fossem de cristal ou se ficassem traumatizados para o resto da vida. Adiante, na verdade, a mãe Sónia odeia dizer que "não"! Por exemplo, se me perguntam "posso ir com os meus amigos?" eu tendo a dizer que sim, sou mais pela liberdade com responsabilidade. Custa-me dizer-lhes "não" porque ainda é cedo por exemplo. Uma coisa é certa, eles sabem que a mãe é pelo sim mas acho que também já perceberam que existe o "vais, se fizeres asneira, já sabes que a porta se fecha". 

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Em escadinha: o Manel, o Martim, a Madalena e o Mateus. (foto retirada do facebook do blogue)

 

Defina cada um dos seus filhos numa palavra.

Manel - 15 anos:

Auto-confiante! eu nunca conheci ninguém com a auto-confiança do meu filho Manel. Tirando ele, talvez o Mourinho consiga ter mais auto-estima! Ele acha-se incrível! Ele realmente tem-se em muito boa conta, o que por um lado, é bom mas, por outro assusta-me. Porque na verdade ele não é assim tãaaaaaooooo isso tudo! 

 

Martim - 12 anos:

Leveza. Para ele há poucas coisas verdadeiramente preocupantes na vida! O meu filho Martim vive a vida com uma descontração e estupidez natural absolutamente inquietantes. Ele é um palhaço no sentido em que está sempre na palhaçada. Ele quer ser humorista. Nada lhe dá mais prazer na vida do que fazer rir os outros. O problema é quando estamos a falar de um assunto sério e ele continua a desmontar. Por vezes tenho vontade de lhe bater! Mas há momentos em que nos surpreende e fica destroçado com os problemas daqueles que nos são mais próximos. Portanto, ele tem um lado ultra sensível mas que é tapado pelo palhaço! 

 

Madalena - 7 anos:

Obstinada. A Madalena aos 3 anos decidiu que queria aprender a fazer laços nos sapatos e pedia-me insistentemente para a ensinar. E lá conseguiu! Ela é muito persistente e quando mete uma coisa na cabeça vai tudo à frente. Na escola, tem a mesma atitude. Quer aprender, saber mais. É muito boa aluna. 

 

Mateus - 2 anos:

Teimoso. Ele também tem muitas coisas do mano Martim, o palhaço! Para além disso, faz umas birras horrorosas e grita. 

 

O blog Cocó na Fralda surgiu no seguimento da sua experiência como mãe. Sentiu necessidade de escrever sobre as traquinices do pequeno Martim? 

Sim, senti necessidade de escrever sobre isso porque ele estava a dar comigo em doida. O meu filho Martim só fazia disparates. Mostrava a pila a toda a gente (uma obsessão que ele tinha em pequenino, acho que estava muito contente por ter aquele instrumento), assoava-se a cortinados, bebia xaropes ... Como eu estava à beira da loucura decidi começar a escrever sobre o assunto. Era a minha catarse. 

 

Como era a mãe do Manel (1º filho) e agora a mãe do Mateus (4º filho). Que diferenças evidencia?

Eu sempre fui uma mãe muito descontraída no sentido em que nós (eu e pai) sempre fizemos a nossa vida (viagens, passeios, convívio com amigos). Eu acho que a principal diferença que posso salientar até nem é muito positiva. Por exemplo, com o primeiro filho, o Manel, nós fizemos todo o tipo de experiências, desde um circo especial não sei quê cognitivo ó coiso, passando por uma ginástica mimimi coisa e tal que era ótima para os sentidos. Ele papou todos os teatros, museus, cinemas e concertos. Agora, o pequeno Mateus, não vai a lado nenhum!! Basicamente vê na televisão o que mais gosta quando os outros permitem. Deixei de dar importância a essas coisas mas às vezes até me penalizo! A verdade é que já não tenho muita pachorra para pandas e afins! Mas coitado ele é o que gosta mais do Panda por isso um dia destes vou ter de gramar um panda! 

 

Quando é mais complicado: de manhã em que as pilhas ainda não estão totalmente carregadas ou ao final do dia?

Sem dúvida, ao final do dia! As manhãs são mais tranquilas. Por vezes, o mais pequeno (Mateus) está na onda do "não quero", "não vou" e gera alguma intensidade mas de resto, as manhãs são na boa. Eles têm os horários diferentes. O meu marido leva dois e eu levo outros dois. Faz-se bem! Mas ao fim do dia é muito pior pois eu já fiz imensa coisa, estou cansada e eles insistem em não ir para a cama, não lavar os dentes! 

 

Defende a educação pela positiva? Com elogios, prémios de desempenho e incentivos?

Sim, absolutamente. Tenho é alguma dificuldade em compreender a parentalidade positiva. Aquilo do "nunca ralhar" não levantar a voz. Acho lindo como principio mas não tenho feitio para isso! Nós adultos deixámos de ter o comando, seguindo a ideia de não torturar/traumatizar as criancinhas. Eles têm mesmo de perceber que nós é que somos os adultos! 

 

Quando decidiram (a Sónia e o marido) criar o Dia do Filho Único (DFU)? Com que objetivo?

Resolvemos criar o DFU a partir do terceiro filho! Tiramos um dia (leia-se uma parte do dia) com cada um deles em que é possível falar dos assuntos que interessa a esse filho e com a linguagem adequada. Repare, quando estamos todos juntos, tendemos a falar de uma forma a que todos percebam e não estamos a adequar a linguagem e a conversa às diferentes idades deles. 

 

Como acha que os seus filhos a veem?

Eu julgo que eles acham sobretudo que a mãe não se acomoda. Que luta muito pelas coisas que quer. Que é muito trabalhadora, persistente, bem disposta e que odeia zangar-se com eles e fazer de má. 

 

Como gere a falta de silêncio que se sente numa casa cheia de crianças?

(risos) Uma vez eu estava maluca, mesmo maluca e decidir ir para a casa de banho. Eu estava a ouvi-los lá ao longe! Mas ainda assim, fui vestida para a banheira vazia só para poder estar estendida a refletir. Nesse momento imaginei-me a fumar. Eu que nunca fumei! Portanto, deu para perceber como eu estava ... 

 

Como são as viagens de carro a 6?  

São um inferno. Há de tudo: "estou farto, enjoado, vou vomitar. Já chegámos? Falta muito?" Ao fim de 5 minutos e sendo que vamos, sei lá, para o Porto! 

 

Pais de quatro conseguem tempo a dois? 

Sim, conseguimos e fazemos muito para que isso aconteça. O nosso tempo a dois é depois deles irem para a cama. Ficamos juntos a conversar, a ver séries, vamos ao cinema, teatro, lemos. 

17973640_1286375861469293_6348945013655205903_o.jpA família completa. 

(foto retirada do facebook do blogue)

 

Como era a Sónia filha? E hoje?

Em pequena não tinha grande margem para ser um género do meu filho Martim porque a minha mãe era uma mulher muito dura. Aliás, ainda hoje é uma mulher dura. Costumamos tratamo-la por "general". Ela era mais pelo "não" do que pelo "sim", o contrário de mim! Então, que remédio tinha eu senão ser a filha boazinha e cumpridora. Depois, já adolescente fiz uma série de disparates próprios da idade ... Hoje acho que sou uma boa filha. 

 

Que valores a Sónia herdou da sua mãe e que faz questão de passar aos seus filhos?

Sem duvida, o sentido de responsabilidade e o trabalho/dever! Quando eu era pequena, lembro-me dela sair do trabalho ao fim do dia e ir para casa trabalhar mais! A minha mãe é uma trabalhadora incansável. Hoje tem 71 anos e continua a traduzir! Adorava passar estes valores aos meus filhos. 

13116502_966329936807222_5088953078138065184_o.jpgA Sónia e a mãe. (foto retirada do facebook do blogue)

  

Que tipo de mães arreliam a Sónia?

Arreliam-me aquelas que me dizem que, enquanto mãe e porque faço determinadas coisas, estou a ser uma tresloucada. Mas, por outro lado, mais do que arreliar, eu tenho pena das mães que não vivem para além dos filhos. Ou seja, acho muito importante a pessoa continuar a ter uma existência cerebral, continuar a fazer a sua vida, a pensar, a ler, a cultivar-se, a crescer, a evoluir, a ter a sua vida, uma vida a dois (quando existe marido ou namorado), a ser bonita, a cuidar de si. Pois antes de ser mãe é uma pessoa. Para além disso, também é importante as crianças verem dentro de casa um amor sadio, um namoro e a sua importância no dia-a-dia. Os meus filhos adoram ver os pais apaixonados! 

 

O que podia dizer a uma mãe de primeira viagem?

Os filhos são um amor muito muito forte mas que pode dar cabo de tudo. Porque às vezes as flores muito bonitas arrasam tudo o que está à sua volta, ora porque precisam de mais água ou mais luz. Elas sugam tudo. É preciso que a pessoa não se esqueça que existe, que tem outra pessoa ao lado que faz sentido (se não fizer tem de o pôr a andar)! É importante não perder de vista o que se quer, o que nos realiza, o que nos faz feliz. Se se perde isto de vista perde-se tudo, inclusivamente a relação com os filhos, que pode ficar inquinada por uma mãe amarga, fruto das perdas. Sem amor por nós próprios é difícil outros amores sobreviverem.

 

A culpa não é sempre da mãe, pois não Sónia?

Não é de todo sempre da mãe. Nós, mães, estamos sempre muito obcecadas em achar que a culpa foi nossa! Isto porque achamos que somos super mulheres. Queremos trabalhar e cuidar dos filhos. Queremos fazer tudo com o mesmo desvelo em bom! Só que o cobertor é curto. Podemos ser ótimas profissionais e passar menos tempo com os filhos e .... não faz mal! Aqui a questão é saber equilibrar, saber em que há dias em que somos as melhores mães do mundo, outros em que fomos as melhores profissionais do mundo. Saber gerir isto é impecável!

 

 

Aqui fica a sugestão de um presente para o Dia da Mãe ♥️

Clicar na imagem para mais informações sobre o livro 😁

 

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