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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Entrevista a Marco Almeida

Com uma longa e experiente carreira enquanto autarca, Marco Almeida irá avançar com uma candidatura independente para a Câmara Municipal de Sintra nas próximas eleições autárquicas. O foco do líder do Movimento Sintrenses com Marco Almeida está agora na preparação da candidatura pois é por aí que passa o seu futuro político. Diz ser a pessoa que melhor conhece a realidade do concelho de Sintra e, essencialmente, os munícipes pois, tem cultivado ao longo destes vinte anos, uma relação de proximidade com todos. Atualmente, é professor de História e vereador da oposição na Câmara o que faz com que o seu tempo esteja sempre contado...

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 Em Mira-Sintra, no bairro onde Marco Almeida cresceu.

 

 

Como candidato à Câmara Municipal de Sintra eu achei que esta entrevista teria como pano de fundo o Palácio de Sintra mas enganei-me. O Marco escolheu ser entrevistado em Mira-Sintra. Porquê?

Talvez enquanto político fosse mais agradável e teria mais impacto termos esta conversa junto ao Palácio de Sintra como diz, mas, eu aproveito a oportunidade que a Cátia me está a dar para dizer quem sou. Todos nós temos uma origem. Eu estou convicto que sou como sou porque aqui em Mira-Sintra fiz o meu percurso de vida. Aqui morei cerca de 25 anos, estudei e aqui tenho os amigos de infância que ainda hoje me acompanham. Nesta casa vivi com os meus pais, avó e irmãos. Basicamente as minhas raízes estão aqui. Tenho nesta casa todas as minhas emoções! As caraterísticas do blogue da Cátia passam muito por esta valorização e reconhecimento do local onde se tem afetos daí esta entrevista ser aqui em Mira-Sintra. 

 

Como é que um professor de História passa para a vida política?

Essencialmente porque a política também sempre fez parte de mim. Pertencer a uma associação/comunidade foi algo constante ao longo da minha vida. Repare: aos 11 anos entrei para os escuteiros, depois liguei-me a um clube de futebol no Cacém, na escola secundária passei pelo movimento associativo. Fica sempre cá o "bichinho" por estar em contacto com grupos. Em 1993, entrei na Junta Freguesia Agualva-Cacém, que era a maior freguesia da Europa, e tive o privilégio de ir para o executivo da Junta com as funções de vogal da juventude e da educação. Portanto, ser autarca vem no seguimento de tudo isto.

 

Esteve como vice-presidente da Câmara Municipal de Sintra ao lado de Fernando Seara durante 12 anos. Quais os maiores ensinamentos que ficaram desses tempos?

Que tudo é relativo. Eu explico. Tudo é relativo porque os acontecimento da vida mostram-nos que aquilo em que acreditamos nem sempre é verdade. 

 

Qual foi o momento em que considerou ter condições para liderar um projeto para o concelho de Sintra?

Depois de oito anos numa Junta de Freguesia e doze na Câmara Municipal de Sintra considerei que tinha condições para tal. Tenho um percurso de vinte anos como autarca e, como sempre fui um dinamizador e mobilizador de candidaturas, achei que estava na hora de ser eu a liderar um projeto quando, em 2012, fiz a minha candidatura como candidato independente à Câmara Municipal de Sintra. Correspondeu a um desejo meu, aliado a um forte apelo por parte de muitos munícipes, de pessoas que me apoiavam, de autarcas quer do PSD quer do PS. Nesse momento decidimos criar um movimento de apoio à candidatura, nasceu o Movimento Sintrenses com Marco Almeida. Hoje este Movimento prepara a candidatura às eleições autárquicas de 2017...

 

Em 2013 não ganhou a Câmara Municipal de Sintra como candidato independente por uma diferença de cerca de 1700 votos. Nas próximas eleições autárquicas de 2017 terá o apoio dos 4 partidos. Sente que vai mais forte para esta "guerra"?

Sim. Agrada-me bastante o apoio dos partidos. Estou muito satisfeito. Sinto que vamos estar mais forte. Tem havido diálogos entre o Movimento e os partidos no sentido de virmos a estabelecer uma candidatura conjunta à Câmara Municipal de Sintra, à Assembleia Municipal e às 11 Freguesias. Contudo, o Movimento Sintrenses com Marco Almeida não irá perder a sua identidade. A questão aqui, e já que me faz esta pergunta, é o facto de que serei sempre um candidato independente sabendo que o meu futuro político passa pelas próximas eleições autárquicas. 

 

A história mostra-nos que um presidente de câmara é, geralmente, reeleito do primeiro para o segundo mandato. Com que "armas" pretende contrariar esta tendência? 

Eu acho que esta tendência poderá ser contrariada precisamente pelo ambiente que se está a viver no concelho de Sintra. Repare, um presidente de câmara deve ser uma pessoa totalmente aberta à opinião, à crítica e à correção daquilo que deve ser feito em benefício do concelho. O atual presidente é uma pessoa muito autocrática e impositiva. Pouco entregue às comunidades locais, ausente das pessoas e pouco aberto ao diálogo. Esta inflexibilidade e arrogância deixam marcas a quem trabalha mais próximo dele. Refiro-me a coletividades e instituições. Vou revelar aqui, talvez pela primeira vez, que o atual Presidente da Câmara Municipal de Sintra tem tido almoços e jantares com dirigentes políticos do PSD e do CDS com o objetivo de inviabilizar o entendimento dos partidos com o Movimento Sintrenses com Marco Almeida. Agora, respondendo à sua pergunta. Se a reeleição estivesse garantida, como nos conta a história, o atual presidente não precisava de se preocupar com estes pormenores. 

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Como é o dia-a-dia de um vereador da oposição?

Eu sou vereador da Câmara Municipal de Sintra em regime de não permanência ou seja, não tenho pelouros atribuídos. Os vereadores do Movimento Sintrenses com Marco Almeida fazem parte da composição do executivo camarário, acompanham atividades, estão presentes em reuniões de câmara mas não têm nenhuma responsabilidade do ponto de vista da decisão. Ser vereador da oposição não se esgota apenas em estar presente nas reuniões de câmara. Eu vejo o serviço autárquico como um serviço de proximidade então eu, enquanto vereador, procuro alertar o presidente de Câmara sobre determinados problemas que vou ouvindo dos munícipes pois sou frequentemente convidado para visitar empresas, escolas e coletividades. Portanto o meu dia enquanto vereador da oposição passa por estar próximo das pessoas, ouvi-las e fazer chegar essa informação à Câmara. 

 

Acha que é um bom conhecedor do concelho de Sintra?

Sim, sim, sou, não tenho qualquer dúvida! Eu sou a pessoa que melhor conhece o concelho de Sintra. Os doze anos que estive como vice-presidente de Câmara Municipal de Sintra foram anos de muito conhecimento das realidades do concelho e essencialmente das pessoas. 

 

O que é que os sintrenses têm a ganhar com o Marco Almeida enquanto presidente da Câmara Municipal de Sintra?

Essencialmente ganham alguém que os conhece muito bem, que sabe onde intervir e que consegue estar próximo deles. 

 

O que pode trazer de novo ao concelho de Sintra? Quais as suas grandes causas/preocupações?

Eu acho que essencialmente o concelho e as pessoas precisam de auto-estima. É preciso saber valorizar todos para dar respostas consoante as realidades porque o concelho não são os palácios da vila de Sintra. O concelho é feito de pessoas e as pessoas não podem ser quantificadas! 

 

Que realidades considera urgente intervir?

Em primeiro lugar na auto-estima das pessoas para que se sintam bem onde vivem. A educação é também um setor estruturante pois nao há transformação social sem investimento na educação. Depois as eternas questões da melhoria da mobilidade dentro do concelho, melhoramento de lares, centros de saúde, parques infantis. 

 

Como é o cidadão Marco Almeida?

O Marco Almeida é um homem de família, casado há 20 anos, pai de dois filhos, uma rapariga de 19 anos e um rapaz de 15. Recatado. Apaixonado pelo que faz quer enquanto professor de História quer como autarca.

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Que leitura faz da união de freguesias que atualmente vigora em Almargem do Bispo, Pêro Pinheiro e Montelavar?

Um autêntico disparate! Porque se juntou realidades e gentes completamente diferentes. O território é similar mas as pessoas são muito diferentes. Para além disso ficou uma freguesia enorme e os meios desta União não aumentaram significativamente, logo desta forma é mais difícil corresponder às preocupações locais. Na minha opinião, esta União de Freguesias não funciona e aliás nota-se que não tem resultado bem. 

  

Que análise faz da atuação do governo "geringonça"?

A "geringonça" criou o sentimento de que o país está melhor, disso não há a menor dúvida. Isto porque o discurso político mudou e também porque foram devolvidos alguns rendimentos. Mas repare, foi o discurso realista e rigoroso que ganhou as eleições ... mas não governa! Julgo que a "geringonça" introduziu um efeito positivo nas pessoas na medida em que lhes transmite que vivem melhor. A única questão é que, na prática, talvez não seja bem assim. Vamos ver o que o futuro nos reserva e como estará o país daqui a um ano ou dois. Eu faço votos para que haja habilidade suficiente por parte da geringonça para que isto não rebente! 

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Obrigada Marco pela disponibilidade e cortesia. Faço votos no sentido de, um dia, voltar a entrevistá-lo na condição de Presidente da Câmara Municipal de Sintra. 

Obrigada Cátia. Vou trabalhar nesse sentido. 

 

Fotografias: Joana ♥️. 

 

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