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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Entrevista a Luís Corredoura

Autor de Nome de Código - Portograal, Lusitano Fado e O Senado, Luís Corredoura descreve-se como um rapaz simples, nascido na vila de Pêro Pinheiro, que até aos seus quatro anos sonhava ser pedreiro ou carpinteiro. Depois, já farto de entalar os dedos com as ferramentas, decidiu que devia ser ele a fazer os "bonecos". Hoje é arquiteto, mestre em recuperação de património e um apaixonado por projetos literários, como gosta de chamar aos seus livros. Vive em Mafra e, como não podia deixar de ser, esta entrevista teve como cenário o Convento de Mafra. 

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 Eu e o Luis Corredoura

 

 

 

Quais são os principais interesses do escritor Luís Corredoura? 

Os meus interesses intelectuais passam fundamentalmente pela leitura, história, desenho e arte. 

 

Quando é que a escrita entrou na vida do Luís?

A escrita é uma necessidade fisiológica tão premente como comer e respirar. É algo muito instintivo. Desde que me lembro que fui escrevendo e desenhando. Hoje, para mim escrever é uma forma de me manter ativo e equilibrado. Alguém dizia que "órgão que não trabalha, atrofia". Eu costumo dizer que quando escrevo um livro, faço projetos literários. Mesmo que um dia se venha a provar que o que escrevo vale muito pouco, eu tenho essa necessidade. Preciso de escrever. 

 

O Luís é um arquiteto apaixonado pela escrita ou um escritor apaixonado pela arquitetura?

Acho que é rigorosamente igual. A paixão que tenho por estas duas áreas não se distingue. A escrita complementa a imagem. Por vezes, alguns pormenores que nos escapam quando olhamos para uma imagem podem ficar salientados na escrita. 

 

Sendo que o Luís trabalha como arquiteto, como é o processo criativo da sua escrita? Vai fazendo pequenos apontamentos ao longo do dia e à noite redige?

Durante o dia faço notas mentais, uma espécie de post it mental e depois à noite escrevo essas notas, passo-as para o papel. Por norma escrevo aos fins de semana, feriados e férias. Tenho também de conseguir conciliar com a vida familiar o que nem sempre é fácil pois o processo de escrita manuscrito é muito mais absorvente do que no computador. Por norma, durante a semana, dedico à escrita duas a três horas por noite. 

           Liv01950022_f.jpgimage.jpeg1.jpg

 

Que descrição pode fazer de cada um dos seus livros?

Nome de Código - Portograal - Uma insanidade que quase me levou à loucura, porque o que foi editado é metade do original. O original tem cerca de 1200 páginas, o que foi publicado é a segunda parte do livro. O que me levou a ir buscar muita informação a essa tal primeira parte para situar o leitor na história. É um livro denso de conteúdo e com uma carga emotiva muito grande de cada uma das personagens. 

 

Lusitano Fado - este livro foi escrito "de rajada" e conta a história de um professor de filosofia desiludido com a vida. Posso adiantar que alguns problemas ocultos da nossa sociedade são contados neste livro. Não posso contar mais, têm mesmo de ler o livro. 

 

O Senado - Este livro é a apologia da indignação. Surgiu após uma notícias que vi na televisão e que me deixaram indignado. Curiosamente, este livro foi escrito primeiro do que os outros dois anteriores, estava na gaveta e só agora foi editado. 

DSC04950.jpgLuís Corredoura junto ao Convento de Mafra 

 

Lê-se pouco em Portugal?

Sim, acho que se lê muito pouco no nosso país. As gerações mais jovens leem cada vez menos. O gosto de ter um livro, tocar, folhear, sentir o cheiro do papel, entrar numa livraria que, para mim, é uma das coisas mais extraordinárias que conheço, parece estar a desaparecer. Como dizia José Luís Borges "certamente que o céu será uma grande livraria". Acredito que sim, vou fazer fé nas palavras do Borges. 

 

Como se pode contrariar essa tendência?

Assim de repente baixando o preço dos livros. Não vou dizer que um livro é um objecto de luxo mas, para o nível de vida do português em geral, um livro é caro. Se bem que em Portugal quando eu digo as pessoas quanto é que ganha um escritor por cada livro editado, as pessoas ficam escandalizadas! Só para teres uma ideia, um escritor ganha em média dez por cento do preço de capa!! Nas escolas também se deve incentivar a leitura. Mas, e acima de tudo, acho que tudo começa em casa como se costuma dizer. Eu tive o privilégio de crescer rodeado de livros. É uma tendência que já vem dos tempos dos meus bisavós, portanto os livros para mim sempre fizeram parte da vida. 

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O melhor elogio que já recebeu?

Uma pessoa perguntou-me se o que escrevi no Nome de Código Portograll aconteceu de verdade ou é tudo ficção! (risos) Levou-me a pensar: ou esta pessoa está completamente aluada e não sabe nada do que aconteceu nos últimos sessenta anos ou eu até tenho um certo jeito para escrever ao ponto de conseguir ludibriar alguém levando-o a crer que tudo o que está escrito é verdade!

 

Como reage à critica?

Reajo bem. Aqueles que me são conhecidos e me dão os parabéns deixam-me obviamente muito grato, sabe sempre bem ver o nosso trabalho reconhecido pelos mais próximos. Confesso que também dou imensa importância às criticas feitas por aqueles que não têm nenhuma ligação a mim. Aqueles que, sem me conhecerem, tomam a iniciativa de me dirigirem algumas palavras. Fico muito grato. Posso dizer que, no geral, o feedback que tenho recebido é bastante positivo. 

 

Concorda com a frase de Mário Vargas Llosa "todo o escritor tem a ideia de que o seu melhor livro ainda não foi escrito"?

(risos). Não sei se posso concordar com a frase. Eu não sei se haverá um próximo livro. A verdade é que tenho alguns na gaveta que, se não for eu a divulgar serão talvez os meus herdeiros! 

 

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Fotografias: Maria Helena e Francisco (os meus fotógrafos de serviços👫)

 

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