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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Completa(MENTE) 5

Espelho Meu, o Que Vejo és tu ou Sou Apenas eu?

 

Não. Não quero saber quem é a mais bonita cá do reino. Nem sequer quero contar um conto de fadas, ou uma tragédia, ou o que quer que seja. Mas sim, quero olhar-me ao espelho e saber o que ele diz. De mim. De todos eles. Mas não um espelho qualquer. Um espelho que são eles. Os meus alunos (e em casa, os meus filhos também). Eles sim, são o melhor, o mais fiável espelho das nossas atitudes e reações, ensinamentos e deceções.

 

Descobri isto ainda cedo na minha carreira. Tinha muito pouca experiência e por isso, este foi apenas “um saber de experiência feito”. De experiência e reflexões. De muitas horas a pensar no que correu bem, e no que correu mal. Principalmente, no que correu mal. Quando corre tudo bem, ou quando achamos que corre tudo bem, é porque não se pensa. E se não se pensa, não se aprende, não se evolui. Peço sempre aos meus alunos para me dizerem o que menos gostaram em cada aula, cada projeto. A princípio, antes de me conhecerem, muitos retraem-se, não querem dizer. Mas quando lhes digo, para não terem medo, que apenas quero que me ajudem a ser melhor, muitos são os que me ajudam e me constroem. A esses, estou grata, eternamente grata. E nesses, penso, se melhoro, cresço.

 

Apesar desta ajuda por parte dos meus alunos, fiz a outra parte da descoberta olhando-me ao espelho. Neles. Aceitando e entendendo que os meus alunos são o meu reflexo e as suas atitudes, o espelho das minhas. Percebi que quando as coisas corriam mal numa determinada aula, raramente era (só) por causa dos alunos. Não me interpretem mal, há alunos muito difíceis que tornam os nossos dias num pesadelo, é certo. Mas acredito, que a forma como lidamos com esses meninos ou meninas é fundamental para o sucesso.

 

Se estou insegura, me vejo numa situação que não antevi, não tive tempo de preparar a aula ou simplesmente estou com problemas pessoais, fico nervosa. Se estou nervosa, não me entrego ao meu trabalho da mesma forma. Se percebo que o trabalho está a correr mal fico ansiosa. Se fico ansiosa perco a conexão com os meus alunos. Se perco a conexão, eles perdem a atenção. Se perdem a tenção, chateio-me. Se me chateio, ignoram-me. Ralho-lhes. Se lhes ralho, perco o respeito por eles. Logo, perdem o respeito por mim. Sem respeito mútuo não há escola, não há aprendizagem. Sem escola, não há futuro. Sem futuro, sem respeito, não somos nada.

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Olhemo-nos ao espelho. As crianças (as pessoas!) apenas copiam a forma como as tratamos. Se nos falam mal, temos vontade de ser amigos dessa pessoa? Claro que não. Se sorrimos a alguém e não nos cumprimentam de volta, ficamos com boa impressão dessa pessoa? Claro que não. Se não somos os primeiros a respeitar os nossos alunos, a admirá-los, a confiar e a estimular as suas capacidades, algum dia estes vão respeitar-nos, admirar-nos, acreditar em nós? Claro que não. Sem reciprocidade, sem amizade, sem um sorriso cresce a insegurança. Na insegurança vivemos sós. Os nossos alunos fazem tudo aquilo que nós acreditamos que conseguem fazer. Acreditemos mais. Demos-lhes mais. Sejamos o espelho seu. E neles, veremos o que lhes damos. E se virmos pouco, não os culpemos. Demos-lhes mais. Nunca é demais. Espelho meu… o que vejo não és só tu. Não sou só eu. És tu, com um grande pedaço meu.

 

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Sónia Vaz

 

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