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A Rapariga na Aldeia

Blog pessoal de uma rapariga que vive na aldeia e às vezes vai à cidade.

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Completa(MENTE) 4

De(em-me a) volta à escola

 

Setembro. Ainda no início e cá em casa já ouço chorar por causa do regresso às aulas. Setembro. Ainda no início e eu, já a sonhar com o regresso às aulas. O meu filho detesta a escola. Eu sempre adorei a escola. Adoro a escola. Dúvidas, ansiedade. Se este tipo de problemas afeta a maioria dos pais, imaginem como incomodará uma mãe que é professora. Inferno.

 

Sei que o meu filho, tal como eu, não é um caso isolado. Muitos são os meninos que não gostam da escola. Muitos são os professores que adoram a escola. Mas também há muitos meninos que adoram a escola. E embora me custe a crer, haverão alguns professores que não adorem a escola. O que fazer? Como limar divergências? Como chegar à harmonia sem que o futuro dos nossos filhos seja comprometido?

 

É uma luta. E como tal, não pode ser travada apenas por um lado. Tem de haver entrega, confiança e motivação de ambos – aluno e professor. Claro que nós pais temos um (muitas vezes frustrante) papel essencial. Parte de nós, apenas de nós, cultivar o gosto pelo saber, desde tenra idade. Parte também de nós, o respeito pelo professor e pelas suas atitudes, mesmo quando delas discordamos. Digo sempre ao meu filho, mesmo que sinta o contrário e o coração apertado, que se a professora o chama à atenção (grita, nas palavras dele) é porque gosta dele e quer que se torne numa melhor versão de si próprio. Nunca falei mal da professora em frente a ele, pois é necessário que a respeite se queremos encontrar uma solução (e queremos).

 

Por outro lado, quando falamos com o professor é necessário que ele saiba exatamente o que se passa em casa (as birras, os gritos, os sentimentos de injustiça) e que lhe expliquemos a melhor forma de chegar aos nossos filhos. Às vezes as pessoas precisam de ajuda, não é vergonha para ninguém. Há crianças muito difíceis e nem sempre a inspiração nos chega. Compreensão.

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Podia dizer, que uma vez mais a solução está no amor (e está). Mas não me quero repetir. Se queremos alunos felizes ao voltar à escola, temos mesmo de lhe(s) dar a volta e a alguns dos seus preconceitos. Por exemplo, é um lugar-comum dizer que a família educa e a escola ensina. Concordo mas discordo. Esta afirmação, embora correta, está tremendamente incompleta se queremos proporcionar um ensino de qualidade que prepare as nossas crianças a vencer no voraz século XXI. Ambos são um dever de todos.

 

Só quando estes miúdos perceberem que a escola e a família partilham os mesmos valores e esperam o mesmo deles, deixarão de haver problemas. Temos de nos unir, de entender, de deixar de criticar, de ouvir, de refletir e de mudar. Todos. Temos de nos melhorar todos os dias, de nos reinventar, de saber pedir desculpa. Já pedi desculpa aos meus alunos se achei que fui injusta e não vejo mal nenhum nisso. Pelo contrário, parece-me que o que daí nasce é muito mais importante do que qualquer orgulho ou posição. Não estou a dizer para sermos amigos ou pais dos nossos alunos. Mas um pouco de cumplicidade, de humanidade, de erros, de defeitos, de aceitação, de diálogo, faz falta, muita falta.

 

Estamos no início. Setembro. Vamos usar a energia renovada pelas férias para pensar e mudar? Vamos dar a volta à escola? Vamos voltar e querer ficar? Permanecer. E com estes miúdos e os seus talentos fazer coisas maravilhosas que os faça querer sempre voltar. Mas para isso, temos mesmo de lhes dar a volta – completaMENTE 😁

 

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Sónia Vaz

 

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